
Este estudo qualiquantitativo, com abordagem de pesquisa-ação, foi desenvolvido a partir de uma capacitação para promover a inserção da prática plantas medicinais e fitoterápicos na Atenção Primária à Saúde (APS), no município de Gaspar, Santa Catarina. Foram utilizados dois questionários e uma entrevista para verificar o conhecimento, auxiliar as ações e esclarecer as percepções dos profissionais sobre a inserção desta prática. Verificou-se que a maioria dos 32 participantes acertou as questões sobre o tema, fazia uso de plantas e acreditava no seu efeito.
Apesar do interesse na prática, foi relatada insegurança para prescrever, pois necessitam de mais conhecimento, espaço físico para hortas e fitoterápicos incluídos na Relação Municipal de Medicamentos Essenciais. Sendo assim, o envolvimento da gestão e da comunidade e, ações intersetoriais, poderiam minimizar o desafio da implantação da prática ampliando as opções de tratamento e fortalecendo o vínculo entre a APS e os usuários.
A prática plantas medicinais e fitoterápicos faz parte da Política de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e por ser considerada complexa existe também uma Política específica orientando sua implantação no Sistema Único de Saúde (SUS), a Política Nacional de Plantas Medicinais e
Fitoterápicos (PNPMF). As práticas inseridas na PNPIC contemplam sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos, denominados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de Medicina Tradicional
e Complementar (MTC). As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) têm ênfase na escuta
acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. Além disso, proporcionam uma compreensão profunda do processo saúde e doença e a promoção do autocuidado compreendendo abordagens que estimulam a utilização de métodos naturais seguros e efetivos na manutenção da saúde.
As PICS ainda podem contribuir para a desmedicalização parcial, pois tem o objetivo de ampliar estratégias em saúde e disponibilizar opções promocionais, preventivas e terapêuticas diversas sendo socialmente valorizadas e desejadas pelos usuários do SUS. Estas práticas vêm sendo procuradas principalmente pela facilidade de acesso, eficácia, segurança, insatisfações com a biomedicina, maior participação no autocuidado e uma melhor relação terapeuta-usuário.
Entretanto, os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), estão interessados em implantar a prática, mas sentem-se inseguros por acreditarem que não possuem conhecimento suficiente. Em outra pesquisa com enfermeiros, foi observada uma falta de compreensão sobre essa prática e suas políticas pelos profissionais, assim como faltam estratégias para consolidá-la no cotidiano da APS9.
Dentre as razões para essa falta de conhecimento, pode-se refletir sobre a informação de que a maioria dos cursos da área da saúde não abordam o estudo de outras medicinas e práticas em seus currículos. A
inclusão é reduzida e como disciplinas são optativas, por isso, a maior parte do conhecimento dos profissionais de saúde com Ensino Superior sobre o tema é oriundo de leituras pessoais, familiares e mídias, revelando a fragilidade da educação formal sobre essas práticas.
Neste sentido, a PNPMF cita como objetivos, a capacitação e o incentivo à integração entre os setores públicos e privados, incluindo universidades, centros de pesquisa e organizações não governamentais no âmbito das plantas medicinais e da produção de fitoterápicos.3 Por outro lado, existe uma carência sobre trabalhos que caracterizem a inserção da fitoterapia em ações e programas na APS brasileira.
Por fim, Gaspar foi considerada como tendo a implantação de PICS incipiente, em uma classificação: sem (55,3%), implantação incipiente (12,3%), parcialmente implantado (15,2%) e implantado (17,1%), no panorama de Santa Catarina. Neste sentido, foi realizada uma pesquisa-ação por meio de uma capacitação para promover a implantação da prática plantas medicinais e fitoterápicos e investigar as perspectivas e desafios da inserção dessa prática no cotidiano da atenção primária à saúde na visão dos profissionais do referido município.


